Desde que acabei o Mestrado, tenho-me sentido uma verdadeira inútil. Vou ocupando os meus dias com o voluntariado, trabalhos manuais, o ocasional filme (hoje vi
Blue Valentine) ou umas séries. Passeio os cachorros de noite, quando ninguém está por perto e posso ir com a música em altos berros no mp3.

Tenho aproveitado para ler alguns dos meus cadernos de quando andava no secundário. Apercebi-me de algo que, por mais hilário ou rídiculo que vos possa parecer, a mim aflige-me. Naquela altura, a minha paixão pela escrita era tanta que não conseguia passar uma aula sem escrever pelo menos duas ou três páginas. E bem escritas.
Ultimamente, é raro ler ou ecrever. As duas coisas que mais gosto de fazer. Ou, pelo menos, as duas coisas que mais gostava de fazer. Era algo tão natural em mim e que, vá-se lá perceber porquê, foi-se perdendo por entre o remoinho que é a vida e isso tem-me deitado abaixo. É como se uma parte de mim se estivesse a apagar. Talvez já se tenha apagado.
Pergunto-me se isto fará parte do meu crescimento. À medida que as responsabilidades aumentam, perdemos a vontade de nos perdermos nos nossos amores de infância. É que desde que me lembro, não saía de casa sem um livro, um caderno e um lápis. E agora, já não me lembro da última vez que esses tês itens me acompanharam rua fora.
Gostava de voltar aos tempos em que nada mais me importava do que ler o máximo de livros possível e escrever o melhor conto de sempre.
Das duas, uma: ou estou velha ou estou a perder qualidades. Talvez ambas.