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terça-feira, 21 de junho de 2011

Das minhas leituras

Tenho muitas saudades daqueles dias que não tinha preocupações e que passava horas a ler. Devorava os meus livrinhos sem ter que me preocupar com nada. E agora? Agora mal tenho tempo para virar as páginas.

Ainda assim, andei a acrescentar umas quantas obras à minha de lista de Must Read:

  1. O Cemitério de Praga - Umberto Eco
  2. Jerusalém - Gonçalo M. Tavares
  3. A Rainha Branca - Philippa Gregory
  4. A Noiva Bórgia - Jeanne Kalo­gri­dis
  5. A Papisa Joana - Donna Woolfolk Cross

Acabei há uns tempos de ler o Babyji da Abha Dawesar e agora estou a ler o Só o Amor é Real de Brian Weiss (este último foi-me oferecido e confesso que não faz o meu estilo de livro, contudo, vamos lá ver o que aprendo com ele.)

E vocês, estão a ler algo?

sexta-feira, 1 de abril de 2011

A ex de Deus

A publicação n.º 100 deste blog será sobre literatura! Adoro ler mas, infelizmente, cada vez tenho menos tempo para tal. Contudo, as minhas viagens entre Braga e Porto são preenchidas com música e livros.

Ontem, ao chegar a Famalicão, acabei de ler Lail-Ah, o Divórcio de Deus, de H. James Kutska.

Apesar de estar escrito em Português do Brasil, não resisti a comprar o livro. Quem é que nunca se perguntou se Deus não se sentirá sozinho? E, caso casasse, como seria a Sua esposa? E se o casamento corresse mal, o que aconteceria? 

O enredo é muito interessante e a ideia do autor é brilhante, com passagens que nos fazem pensar nas diferenças entre seres humanos e naquilo que somos capazes de fazer quando estamos cegos de amor, mesmo que seja uma ilusão. Ainda assim, o livro soube-me a pouco e achei o fim rápido demais. De qualquer forma, aconselho.

Liebend

quarta-feira, 30 de março de 2011

E hoje é dia de dizer:

"Ascorosa lombriga e imunda osga, aí te atiro ao focinho, etc."
Por João da Ega
in Os Maias


Com carinho,

Patrícia Machado

domingo, 6 de março de 2011

"Tudo o que sei é que devo morrer em breve; mas o que mais ignoro é essa mesma morte, que não saberei evitar." Victor Hugo

A morte é, sem sombra de dúvidas, o maior mistério que existe. Mistério... não gosto muito dessa palavra para descrever a morte. Prefiro antes, segredo. É um segredo. 

Não gosto de segredos. Nunca gostei. E, desde pequena, mesmo sempre muito quieta e silenciosa, tentava perceber todos aqueles segredos que pairavam no ar e aos quais o meu acesso era limitado. Contudo, a morte nunca foi um segredo apelativo (até a mim me parece estranho ler isto... estou a fazer-me entender?). Nunca pensei em pesquisar nada sobre o assunto. A resposta: Está no Céu. era mais do que suficiente para a aceitar.

Porém, este segredo deixou de ser uma simples palavra nos poemas de Bocage ou Byron alguns meses depois de fazer 15 anos, quando a pessoa que mais amei até hoje desapareceu. A princípio, fiquei confusa. E agora? Mas, com o passar dos dias, acreditava que tinha de encontrar algures uma resposta. Sentia que me tinham tirado o chão debaixo dos pés, que faltava algo dentro de mim.

Ler sobre o assunto só pareceu trazer mais questões, mais segredos. Palavras como alma e espírito revelaram-se  tão secretas quanto morte. Li Bocage, Byron, Poe e outros à procura de respostas. Enchi capas de cadernos com citações sobre o assunto. Em suma, persegui a Morte mas ela nunca se deteve. Se encontrei respostas? Não, claro que não.

Alguns anos depois, foi a vez de um grande amigo meu seguir pelo mesmo caminho secreto. Mais uma vez, as perguntas, já semi-camufladas, perseguiram-me e eu a elas. Dead end.

Já na China, quando menos esperava, outro grande vazio instalou-se dentro de mim. 

A verdade é que nunca fica ou parece mais fácil. O tempo não cura. E, de tempos a tempos, as perguntas surgem, de novo, e a frustração de nos encontrarmos sem resposta, abala-nos.
 
Nos últimos dias que passei na China, em Pequim, corri a Livraria de Línguas Estrangeiras de uma ponta a outra. O livro que mais me chamou à atenção, pela capa, confesso, foi Her Fearful Symmetry da Audrey Niffenegger. Só pensava em comprá-lo mas, até mesmo na China, o livro era extremamente caro e a minha mala já não aguentava muito mais peso. Desisti da ideia.

Um dia, em Braga, passeava na Fnac e, por acaso, encontrei o único exemplar do livro numa prateleira de literatura estrangeira, versão livro de bolso, e nem pensei duas vezes. Infelizmente, fui adiando a leitura e só agora, nas idas para o Porto e regressos a Braga, é que fui lendo.

Esta é a história de Elspeth (sempre adorei esse nome, aproveito para partilhar), que morre de leucemia aos 44 anos e como a sua morte vai afectar as vidas daqueles que a amavam, daqueles que a odiavam ,daqueles que nem sequer a conheciam e, ainda,  a existência ou não existência da própria Elspeth. Não vou aprofundar mais porque acho que isso poderia eventualmente estragar o vosso possível desejo de leitura. Não pensei, no entanto, que se trata de uma simples história sobre a morte. Uma das coisas que me fez gostar imenso do livro foi o facto do sentimento Amor ser abordado como algo multifacetado.

O que na verdade quero partilhar aqui  é o facto de, ao longo do livro, dar comigo muitas vezes a pensar E se...  Agora que o terminei e adorei, sei que vou passar muito tempo a questionar-me... Uma coisa tenho a certeza, devemos sempre valorizar a nossa alma acima de tudo.

Liebend & The Pen

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Gold it is

Hoje, um dos meus escritores favoritos faria anos. Vou deixar aqui um dos meus poemas favoritos (incorporava a minha parede na China) deste grande autor. 

Lenore
Edgar Allan Poe

Ah, broken is the golden bowl! the spirit flown forever!

Let the bell toll!- a saintly soul floats on the Stygian river;

And, Guy de Vere, hast thou no tear?- weep now or nevermore!

See! on yon drear and rigid bier low lies thy love, Lenore!
Come! let the burial rite be read- the funeral song be sung!-
An anthem for the queenliest dead that ever died so young-
A dirge for her the doubly dead in that she died so young.

"Wretches! ye loved her for her wealth and hated her for her pride,
And when she fell in feeble health, ye blessed her- that she died!
How shall the ritual, then, be read?- the requiem how be sung
By you- by yours, the evil eye,- by yours, the slanderous tongue
That did to death the innocence that died, and died so young?"

Peccavimus; but rave not thus! and let a Sabbath song
Go up to God so solemnly the dead may feel no wrong.
The sweet Lenore hath "gone before," with Hope, that flew beside,
Leaving thee wild for the dear child that should have been thy
bride.
For her, the fair and debonair, that now so lowly lies,
The life upon her yellow hair but not within her eyes
The life still there, upon her hair- the death upon her eyes.

"Avaunt! avaunt! from fiends below, the indignant ghost is riven-
From Hell unto a high estate far up within the Heaven-
From grief and groan, to a golden throne, beside the King of
Heaven!
Let no bell toll, then,- lest her soul, amid its hallowed mirth,
Should catch the note as it doth float up from the damned Earth!
And I!- to-night my heart is light!- no dirge will I upraise,
But waft the angel on her flight with a Paean of old days!"


Liebend

domingo, 31 de outubro de 2010

Resolvido o mistério da Torre!

Foi aqui que tudo começou. No dia em que este post foi publicado, ganhei mais uns quantos cabelos brancos ( se não ganhei, pouco faltou)! Eu e outros tantos leitores do blog Cloreto de Sódio sentimos um aperto no coração. O Professor João Luís anunciava o desaparecimento, em Outubro, daquele que é o símbolo da minha querida terriola: a Torre do Relógio.
Como já era de esperar, a população andava intrigada. Falo por mim quando digo que comecei a reparar ainda mais na Torre (sim, até encontrei um spot perto de minha casa, onde ela surge entre os prédios. Nunca tinha dado conta. É mesmo preciso estar atento.) e a imaginar o que raio viria a acontecer. Estaria prestes a cair? Será que iam apagar as luzes durante uma noite de Outubro?

Enquanto a minha cabecinha dava à manivela, o senhor professor ia aguçando a preocupação com fotografias do Castelo ora com a Torre, ora sem ela.


Uma noite, quando o encontrei num dos corredores do Curvo Semedo, perguntou-me se estava pela terriola no dia 30 de Outubro. Eu respondi com uma pergunta que ele deixou a flutuar: Que vai fazer à minha Torre? Claro está que marquei o dia no calendário do telemóvel.
Em conversa com alguns amigos ( isto funcionou como se fosse um episódio de House, percebem? Tínhamos de chegar a um diagnóstico!), alguém lançou a meio de uma viagem: Ele não andará a escrever algo novo?
Poucos dias depois tivemos a confirmação via Facebook e no blog do professor.

Ontem, lá estive como marcara no calendário, na Biblioteca Municipal Almeida Faria para o lançamento do livro que mais fez Montemor-o-Novo falar e conspirar: Outros Contos de Vila Nova por João Luís Nabo (também avistado neste blog como Zero à Esquerda). Enquanto aguardava que a apresentação começasse, li o prefácio do livro, e sim, vi aquilo que já conhecia do meu professor de T.T.I. e fiquei a saber mais coisas. Não me lancei logo na leitura do livro mas, ao longo da apresentação, gostei dos trechos que foram lidos.
Agora que já estou a acabar de ler só posso garantir que é de leitura obrigatória para qualquer montemorense, penso, e para quem gosta de um bom livro. Já tenho o meu, claro está, autografado e tudo!  

Liebend

P.S.: Agradeço que me tenham deixado roubar as fotos de Manuel Roque.

domingo, 5 de setembro de 2010

Pirilampo, voa, voa...

Sempre que escrevi em blogs, tive o hábito de, por vezes, transcrever para eles pequenos excertos de livros que estivesse a ler, que me dissessem algo em particular. Aqui me estreio neste.

O pirilampo esvoaçou para o ar bastante tempo depois, como se lhe tivesse ocorrido algo de repente. Abriu as asas e voou rapidamente por cima do corrimão até flutuar na palidez da escuridão. Delineou um célere arco ao lado do depósito de água, como se tentasse recuperar um intervalo de tempo perdido. Por fim, após pairar durante uns escassos segundos como se observasse a linha curvada da sua própria luz a fundir-se com o vento, esvoaçou para leste.
O rasto da sua luz permaneceu dentro de mim bastante tempo depois de o pirilampo ter desaparecido e essa sua pálida e ténue luminosidade continuava a pairar como uma alma perdida na espessa escuridão por trás das minhas pálpebras.
Tentei várias vezes estender a mão na escuridão, mas os meus dedos não tocavam em nada. O ténue brilho perdurava, mas estava para além do meu alcance.
Haruki Murakami, in Norwegian Wood

Liebend, Me & Myself  

sábado, 14 de agosto de 2010

Why is a raven like a writing desk?

Desde pequena que um dos contos que mais me faz sorrir e andar com a cabeça no ar é Alice no País das Maravilhas. Comecei por ver o filme da Disney em VHS, dobrado em Português do Brasil ( que aproveito para lembrar que não é o Português que eu falo e escrevo). Era quase um ritual em
casa dos meus Avós, após sair das aulas. Antes dos trabalhos de casa, sentava-me na mesa redonda da sala de estar e, enquanto lanchava as torradas de pão alentejano (não há melhores!), deixava-me levar para o mundo da Alice. E isto durou muitos anos.
Já naquela altura, a minha personagem favorita não era a Alice. Não. Na verdade, achava a Alice uma menina tola e influenciável, demasiado curiosa e distraída. Para mim, a personagem mais interessante era o Gato Cheshire. A maneira como deixava Alice confusa, umas vezes ajuda
ndo-a, outras vezes conduzindo-a a problemas, mas sempre com um sorriso. O desaparecer e deixar só o sorriso no ar... Na criança que comia torradas, essa imagem do gato fazia-a acreditar que acontecesse o que acontecesse, um sorriso deve permanecer nas nossas caras. Hoje, já tenho outras interpretações das atitudes do Cheshire, como aliás era de esperar visto que quando crescemos vamos tomando consciência de que os desenhos animados também são feitos à imagem das pessoas, mesmo que tenham a forma de um gato. E sejamos sinceros, Cheshire ensina uma valiosa lição à menina loira, e a todos nós, quando a faz entender que não vale a pena ir contra a loucura, já que cada pessoa tem a sua e onde quer que ela vá acabará sempre por encontrar alguém. Afinal, se pensarmos bem, não é no País das Maravilhas mas sim na vida real que temos de lidar com várias pessoas, cada uma com as suas virtudes e defeitos. Para quê tentar ir contra isso e acreditar que há alguém que é virtuoso em quase tudo o que faz? A perfeição não existe, lamento informar-vos. Ninguém é perfeito, todos cometemos erros e o melhor que temos a fazer é mesmo sorrir.
Neste pequeno excerto, Cheshire aparece a Alice, entoando a primeira e última estrofes do famoso poema Jabberwocky de Lewis Carrol:

'Twas brillig, and the slithy toves
Did gyre and gimble in the wabe;
All mimsy were the borogoves,
And the mome raths outgrabe.



Ainda não me debrucei com atenção sobre o livro, confesso o pecado, mas está na minha enorme lista de livros a ler e preparo-me para encurtá-la o mais depressa possível, visto que ela cresce sempre que lhe toco.
Este ano, na China, tive a oportunidade de assistir no cinema ao filme de Tim Burton, em 3D. Confesso que talvez não faça grande diferença o filme ser em 3D mas, como grande fã que sou, tanto da estória como do realizador e de alguns elementos do elenco, não perdi a oportunidade de o ver! Como era de esperar, quase saltei da cadeira quando a grande cara de Cheshire com o sorriso matreiro estampado nela encheu a sala escura.


Mais, assim que vi as estatuetas de Alice e do Chapeleiro Louco à venda, comprei-as. Com muita pena minha, só tinham essas duas e o Cheshire não está na minha colecção de figuras. Por enquanto.
Ainda na China e antes da estreia do filme de Burton, andei viciada num pequeno anime, baseado no manga de Jun Mochizuki, Pandora Hearts. Dando vida a muitas das personagens de Alice e a outras que são pura imaginação do autor, esta estória faz-nos perguntar constantemente: Quem matou Alice?


No entanto, a Alice de que quero falar hoje é diferente de todas as outras que já referi em cima. É a Alice do famoso jogo de Mcgee.
Em 2000, saiu para o PC um jogo que viria a revolucionar a maneira como Alice era vista pelo mundo. A jovem doce e sonhadora dava lugar a uma rapariga traumatizada e que nos transporta para um país das maravilhas não tão maravilhoso como isso. Após um incêndio, Alice perde a família e é levada para um hospital psiquiátrico.Os olhos da menina não são doces e curiosos, Cheshire não é da cor do algodão-doce e o sorriso é ainda mais matreiro e assustador do que aquele que estamos habituados e, para nos deixar ainda mais admirados, a mesa de chá do Chapeleiro Louco não é tão convidativa como desejamos.


Onze anos depois do primeiro jogo, Alice volta ao PC. Alice Madness Returns é um dos jogos que mais aguardo. Com certeza que todos vós sabem que nem sempre o nosso país das maravilhas é cheio de encanto e cheiro a torradas caseiras.

Enquanto aguardamos, vai uma chávena de chá?

Liebend

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Cor Te Reducit

Posso dizer que o meu livro favorito de sempre é A História Secreta de Donna Tartt.
Neste livro, a autora capta a nossa atenção com um grupo de seis alunos muito diferentes uns dos outros, unidos pelo estudo das línguas e culturas da Grécia e da Roma antigas. Ensinados por um professor apaixonado pelos clássicos, estes seis alunos acabam por intensificar o estudo com o auxilio de bacanais e outros ritos que conduzirão à morte de um deles.
Na segunda-feira passada recebi um presente que veio de Liverpool e ao qual me dediquei afincadamente. Um amigo, sabendo o quanto eu adorara A História Secreta enviou-me The Lake of the Dead Languages de Carol Goodman.
Esta é a história de Jane, mãe, divorciada e professora de Latim num colégio de raparigas chamado de Heart Lake. Jane tentou, ao longo dos anos, esquecer a morte trágica dos seus melhores amigos em Heart Lake, quando era adolescente, mas agora é de novo assombrada pelos fantasmas do passado.
No inicio, o livro pareceu-me uma cópia disfarçada d'A História Secreta, mas depois deu uma reviravolta interessante. Contudo, ao contrário do bestseller de Donna Tartt, The Lake of the Dead Languages é um livro que, a pouco da revelação ser feita é fácil adivinhar o próximo passo das personagens.
Para quem gosta de mistério e línguas mortas, aconselho ambos.


Liebend

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Ler É Urgente!

Não é mentira nenhuma e quem me conhece sabe que, para mim, é quase tão importante como respirar.
Hoje, na brincadeira, o senhor Liebend decidiu procurar a minha alcunha no Google. Para grande espanto nosso, ele encontrou um livro cujo título é a minha alcunha. Só por isso, sinto-me importante. E já decidi que o vou ler.
Para além disso, encontrou um RPG chamado The Witcher, baseado nos livros de Andrzej Sapkowski, onde uma das personagens se chama Triss Merigold.
Agora, se não se importam, vou ali ao site Amazon, pois ouvi dizer que anda por aí um esquilo que tem algo em comum comigo.


Liebend